O problema nunca começa no dia da separação...
Se você abriu as páginas deste livro, é muito provável que esteja sentindo o peso de um desejo que parece distante. Ninguém entra em um relacionamento esperando fracassar, ver o amor esfriar ou vivenciar a distância emocional. No entanto, a rotina diária, as preocupações financeiras e o cansaço acumulado costumam sufocar o carinho inicial.
A dor mais silenciosa e profunda retratada na obra é a chamada "solidão a dois". É aquela sensação angustiante de morar sob o mesmo teto, dormir na mesma cama e ainda assim sentir-se completamente só. Telas de celulares e redes sociais passaram a ocupar o espaço que antes pertencia às conversas sinceras da casa. Esposo e esposa passam a compartilhar a vida com estranhos virtuais, enquanto ignoram o coração de quem está ao lado.
Há também o desgaste provocado por pequenas mágoas acumuladas em silêncio que nunca foram conversadas ou resolvidas. Discussões banais sobre tarefas domésticas ou organização escondem feridas mais profundas de desatenção e falta de acolhimento. O orgulho vai construindo um muro invisível dentro do lar, onde ninguém quer dar o primeiro passo para pedir perdão. O leitor muitas vezes se pega alimentando comparações com vidas aparentemente perfeitas exibidas na internet. Pais e mães sentem-se sobrecarregados, disputando quem sofre mais em vez de encontrarem descanso na parceria.
O leitor carrega no peito a dor de ver a impaciência e a ironia tomarem o lugar da admiração e do respeito de outrora. E assim a relação vai esfriando.











